
Pecuarista, comerciante, vereador por cinco mandatos e prefeito de Arari (1977–1983), Domingos Aprígio Batalha deixou obras que marcaram a história do município. Relembre sua trajetória nos 100 anos de nascimento do 32º gestor municipal de Arari.
Domingos Aprígio Batalha nasceu em 14 de outubro de 1926, na localidade de Bacurau, povoado Moitas, na zona rural de Arari-MA. Era filho do agricultor André José Batalha e de Maria das Dores Batalha. Ainda jovem, radicou-se na sede do município, passando a estudar no Colégio Arariense.
Casou-se em 1952 com Antônia Silva Batalha, filha do empresário e marítimo Romoaldo Silva e de Raimunda Vale da Silva. O casal teve dez filhos: Domingos Filho, Raimunda, Rosário, Raimundo Nonato, Ana, Gilmar (falecido), Gilberto, Júnior, Márcia e Renato. Criaram também como filhos Rony Sousa e Theila Karine.
Profissionalmente, a princípio Domingos Batalha se dedicou a um comércio de sua propriedade. Tempo depois, passou ao comércio itinerante na região do Mearim e Grajaú, auxiliado pela lancha Guanabara. Após se dedicar também à atividade de vaqueiro, administrou uma pequena fábrica, cuja produção de sabão de coco e andiroba era comercializada na sede e na zona rural do município.
Ingressou no Barriguismo, grupo político liderado por Theodoro Antonio Batalha, que fazia oposição ao Padrismo, grupo político liderado pelo Padre Brandt (Pe. Clodomir Brandt e Silva).
Na militância política, foi eleito vereador quatro vezes consecutivas (1963–1976). Eleito prefeito de Arari, governou o município de 1º de fevereiro de 1977 a 31 de dezembro de 1983, tempo em que se consolidaram importantes fatos da história local.
Foi no primeiro ano de seu mandato (1977) que teve origem o Dia da Confraternização Arariense. O evento seria posteriormente instituído pelo Decreto nº 11/78, dando origem ao primeiro Festival da Melancia, em 1978, em meio ao conflito político-religioso entre padristas e barriguistas.
Amigo e correligionário do governador João Castelo, protagonizou em sua administração importantes iniciativas que beneficiam os ararienses até os dias atuais. A principal delas foi a Ponte Thales Ribeiro Gonçalves, inaugurada em 1981 sobre o Igarapé Nema.
Destacam-se também o calçamento e a abertura de várias ruas; a instalação do serviço de telefonia no município, por meio de um posto da Telma (empresa telefônica da época); a ampliação da rede de educação do município, com a construção de novas escolas, e do sistema de saúde, com novos postos de saúde e um posto veterinário; a ampliação do sistema de abastecimento de água até o povoado Bonfim; e a instalação da primeira agência bancária do município, por meio do Banco do Estado do Maranhão (BEM), hoje Bradesco.
Também construiu o Colégio CEMA (Unidade Escolar Cidade de Arari, hoje Centro Educa Mais Cidade de Arari), ampliando a rede estadual de educação em Arari. Para isso, desapropriou o antigo campo de futebol, que foi transferido para a entrada da cidade. Anos depois, já construído, o novo campo passou a se chamar Estádio Santos Figueiredo, mas o apelido de “Mentirão”, dado pelos oposicionistas da época, ficou gravado na história política de Arari.
Concluiu e inaugurou o antigo Terminal Rodoviário Antonio Anísio Garcia, consolidando a abertura da Av. Dr. João da Silva Lima. Teve participação também na construção do Colégio Comercial de Arari, sede da Fundação Cultural de Arari (FCA).
Conseguiu junto ao Governo do Estado a implantação de um posto da Sagrima e da Emater (Empresa Maranhense de Extensão Rural, hoje AGERP), além da Emapa (Empresa Maranhense de Pesquisa Agropecuária) e da Codagro (Companhia de Desenvolvimento Agropecuário, hoje AGED).
Encerrado o mandato de prefeito, elegeu-se vereador pela quinta vez, com mandato de 1989 a 1992. Ao fim desse último mandato, aposentou-se e voltou a cuidar de gado, atividade outrora exercida como vaqueiro.
Depois de mais de três décadas de vida pública, faleceu em 2 de dezembro de 1998, em São Luís, aos 72 anos de idade. Contribuiu para o crescimento de Arari nas esferas social, econômica e política.
Pouco tempo após seu falecimento, foi homenageado pelo Poder Público local, que deu seu nome ao centro de abastecimento do município, denominado “Centro de Abastecimento Domingos Aprígio Batalha”.
REFERÊNCIAS
FERNANDES, José Cleilson. Memória administrativa: Domingos Batalha (1926-1998). Rev. Cidade de Arari n. 3, jun., 2010, p. 14.
BATALHA, Renato. Centenário de Domingos Aprígio Batalha. Instagram @batalha_renato 14 out., 2026. Disponível em https://www.instagram.com/p/DefiwSzkcJEMB3b-u_TswvSlr-WR4_5mt2K-Eg0/ Acesso em: 14 out. 2026.
