
Mestre da cultura popular arariense, Chiquinho do Divino (1940–2015) criou em 1977 e conduziu por 36 anos a primeira e mais tradicional Festa do Divino de Arari, declarada Patrimônio Cultural Imaterial do município em 2024.
Francisco Leocádio Bogéa Maciel, popularmente conhecido como Chiquinho do Divino, em razão de sua dedicação à Festa do Divino Espírito Santo, nasceu no povoado Cafezal, em Arari – MA, em 16 de abril de 1940. Era o caçula dos cinco filhos de Antenor Bogéa Maciel e Raimunda Bogéa Maciel.
Foi casado por cinquenta anos com Verônica de Jesus Souza Maciel, com quem teve nove filhos: Benedito Antonio, Ednilson, Raimundo Nonato, Antenor, Francisco das Chagas, José de Jesus, Antonio de Jesus, Eulália e Sandra Maria, que lhe deram 15 netos.
Tido como mestre da cultura popular, foi idealizador e promotor da primeira e mais tradicional festa do Divino Espírito Santo de Arari, o ‘Divino de Chiquinho’, o que o tornou conhecido em Arari e na região entre as personalidades da cultura e da religiosidade popular.
A Festa do Divino
A festa cultural, religiosa e de entretenimento ligada ao catolicismo popular por ele promovida, o Festejo do Divino de Chiquinho, teve origem em duas promessas do seu idealizador, por ocasião de problemas de saúde de sua mãe e de sua esposa, em momentos distintos.
Começou a ser realizada em 23 de setembro de 1977 com um Terecô, baile religioso popular animado por caixeiras e acompanhado de ladainha, em um único dia de festa. A festa cumpria a primeira promessa, feita em 1965, pela saúde de sua mãe, e manteve esse formato nos três primeiros anos.
A partir de 1980, motivada por uma segunda promessa, pela recuperação da saúde de sua esposa, a celebração passou a ter três dias, com todos os rituais da Festa do Divino propriamente ditos, acrescidos de vesperal para adolescentes, à tarde, e festa dançante para adultos, à noite.
Nesse formato o evento já contava com alvoradas, café da manhã com o Império, recepção das caixeiras, busca, retirada e levantamento do mastro, ladainhas, Terecô, morte do boi, chegada dos mordomos, cortejo e coroação do imperador e da imperatriz, valsa do Império, missa, derrubada do mastro, ceia de cerimônia e transmissão da coroa.
O evento realiza-se sempre no último fim de semana de outubro, no salão cultural que o mestre Chiquinho fundou no bairro BR-222, o antigo Clube do Chiquinho, hoje Salão Imperial do Divino Espírito Santo. Ali também promovia outros eventos culturais e de entretenimento, associados e paralelos ao festejo religioso.
Chiquinho do Divino esteve à frente do festejo por 36 anos, até o ano de 2013, e conquistou o respeito e o reconhecimento da população arariense, sendo considerado uma das principais referências da cultura popular contemporânea do município.
Nesse ano, foi fundada a Associação Cultural Imperial Maior do Divino Espírito Santo de Arari, tendo à frente seu filho Raimundo Nonato Souza Maciel, que comandaria o evento a partir de então. O Divino de Chiquinho também passaria a se chamar Festejo Imperial Maior do Divino Espírito Santo.
Seu Chiquinho faleceu na tarde de 17 de junho de 2015, em Parauapebas – PA, onde estava visitando um de seus filhos, Francisco das Chagas, e sofreu um infarto. Seu corpo foi trasladado a Arari, velado no Clube do Chiquinho, como era conhecido seu salão de eventos, e sepultado no Cemitério Municipal, às 8 horas da manhã do dia 19.
Reconhecimento e Homenagens
O festejo e a festa secular associada são até hoje realizados anualmente por seus familiares, nos mesmos moldes propostos por seu fundador. Assim, a devoção ao Divino Espírito Santo segue com os contornos de origem: expressão do catolicismo popular familiar e comunitário.
O nome de Chiquinho do Divino foi proposto para denominar a rua que dá acesso à UBS Coreia e termina ao lado da Embrapa, por meio do Projeto de Lei nº 015/2017, de autoria do vereador Luciano Odesse, aprovado pela Câmara Municipal de Arari em 2 de junho de 2017. (Não há confirmação de que o projeto tenha sido sancionado pelo Poder Executivo).
Em sua memória, a Lei Municipal nº 155, de 29 de janeiro de 2024, declarou a Festa do Divino Espírito Santo do Chiquinho do Divino Patrimônio Cultural Imaterial do Município de Arari.
A lei teve origem no Projeto de Lei nº 039/2023, de autoria da vereadora Aurinete Freitas, aprovado pela Câmara Municipal de Arari em 24 de novembro de 2023, sendo sancionada pelo então prefeito Rui Fernandes Ribeiro Filho.
Assim, Chiquinho do Divino e seu legado cultural permanecem firmes na memória coletiva do Município de Arari, sendo ele um dos grandes nomes da cultura popular arariense das últimas décadas do século XX e primeiras décadas do século XXI.
REFERÊNCIAS
ACADEMIA. Arari se despede do mestre de cultura popular Chiquinho do Divino. Academia, ano III, n. 7, Arari, jun. 2015.
ARARI. Lei Nº 155, de 29 de janeiro de 2024. Declara Patrimônio Cultural Imaterial do Município de Arari a manifestação cultural e religiosa da Festa do Divino Espírito Santo do Chiquinho do Divino (In Memoriam). Arari: DOM de 30/01/2024.
CÂMARA DE ARARI. Projeto de Lei nº 015/2017. Denomina de Francisco Leocádio Bogéa Maciel (conhecido como Chiquinho do Divino) a rua que dá acesso à UBS Coreia e com término ao lado da Embrapa. Arari: Arquivo da Câmara Municipal, jun., 2017.
CÂMARA DE ARARI. Projeto de Lei nº 039/2026. Declara Patrimônio Cultural Imaterial do Município de Arari a manifestação cultural e religiosa da Festa do Divino Espírito Santo do Chiquinho do Divino (In memoriam).. Arari: Arquivo da Câmara Municipal, nov., 2023.
FERNANDES, José Cleilson. Entrevista com Raimundo Nonato Souza Maciel, presidente da Associação Cultural Imperial Maior do Divino Espírito Santo de Arari. Arari: out., 2026.
COMO CITAR ESTE ARTIGO:
FERNANDES. José Cleilson. Francisco Leocádio Bogéa Maciel – Chiquinho do Divino: perfil biográfico e legado cultural. Portal Arari, 2026. Disponível em: https://https://www.arari.org.br/chiquinho-do-divino-perfil-biografico-e-legado/. Acesso em: 00/00/0000. [copie, cole em seu texto e adicione a data atual]
